Anna Meredith

10 Outubro 2016 · 21h00 · CCB

São finas linhas que permitem a Anna Meredith ligar os diferentes pontos de cada interstício musical, nas palavras da própria há um interesse muito maior “em escrever sobre clips do que sobre o amor”. Como resultado desta pesquisa criativa, Varmints (Moshi Moshi – Março de 2016) funciona como uma espécie de Big Bang da imaginação, um disco que explode até à mais ínfima costura – pleno de ideias, intrigante, emocional.
Anna Meredith, desde muito jovem que é possuidora de uma forte cultura musical, tendo começado por tocar clarinete nas Orquestras da sua cidade adoptiva – Edimburgo. Após a licenciatura em música pela Universidade de York, decidiu completar o Mestrado em Música, na área da composição, pela Royal College of Music.

O interesse pela electrónica surge quando escreve o tema – Axeman. “Queria que o fagote soasse como uma guitarra eléctrica e não tinha ideia de como o fazer. O fagote é muito empertigado e correcto, pu-lo sob uma distorção de guitarra eléctrica, pedais e um amplificador. Era tudo muito lo-fi e soou a tudo menos a um fagote. Gostei da ideia de transformação – o que tu vês não é aquilo que necessariamente ouves.”

Estas mutações formais tornaram-se o marco identitário da sua vibrante carreira. Além de ter partilhado palco com Anna Calvi, James Blake e These New Puritans, o seu vertiginoso CV inclui ser Compositora Residente para a BBC Scottish Symphony Orchestra, uma peça para uma máquina de Ressonância Magnética, um tema para a campanha Primavera/Verão 2015 da Prada, sinfonias para cuidados infantis, música para instalações sonoras em jardins em Hong Kong e abrigos para dormir em Singapura. Colaborou com Laura Marling e The Stranglers na primeira série da intricada composição orquestral 6Music Prom tocada em simultâneo por cinco orquestras no Reino Unido, tendo sido transmitida para uma audiência estimada de 40 milhões de pessoas. 165 Orquestras Juvenis, para ser bem específicos, tocaram Handsfree, uma composição, em torno dos sons produzidos por movimentos de percussão induzidos no corpo, tendo recebido rasgados elogios.

Varmints foi gravado com o percussionista e baterista Sam Wilson, com o guitarrista Jack Ross e a violoncelista Gemma Kost. A diversidade atmosférica, tão característica de Varmints só é possível graças à compreensão absoluta das dinâmicas musicais por parte de Anna Meredith. “Consigo entender quando algo deve acontecer num tema. Sempre quis que Varmints acabasse de maneira mais intimista, mas começasse com confiança, tivesse momentos mais introspectivos, mas também momentos de exteriorização, concretização. Gosto de construir um edifício, um amigo usa a expressão – “O edifício da Anna!”
Todas estas “pequenas peças do quotidiano” são em Varmints o seu terreno de eleição, um disco com um enfoque e energia pouco usual, misturando na perfeição a paixão de Anna“pelos traços largos”, com a sua visão acurada para os pormenores. Eis o edifício de Anna. Como ela diz, “get on board!”

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